domingo, 22 de março de 2009

A sétima "indústria"


O cinema nasceu para reproduzir a realidade, pequenos filmes do cotidiano moderno eram veiculados em salas de rua, porém não podemos esquecer que ele surgiu em um contexto caótico. Os trabalhadores migravam do campo para as cidades. Era o cronômetro que regia o seu cotidiano e não mais a natureza.


A vida dos trabalhadores era miserável, viviam em condições precárias. Assistir peças ou ir a audição de uma orquestra era algo fora de cogitação. Então surge o cinema, os burgueses no controle como sempre utilizando os mais variáveis recursos para tornar a ficção da tela em algo próximo a realidade. Veiculando e despertando o desejo em todos de seguirem o padrão de vida que eles desfrutavam.


Os filmes se tornaram iguais, desde sua narrativa pobre e personagens com destinos previsíveis a sua trilha sonora generalista. O espectador não refletia, e ainda não reflete, é induzido por efeitos especiais a reproduzir cenas e sonhar com padrões longe dos seus assim que sai da sala.


A indústria cinematográfica americana se desenvolveu após a 1° Guerra Mundial e ao longo dos anos espalhou seus filmes comerciais pelos quatro cantos do mundo. O distanciamento da cultura nacional para um modelo estrangeiro foi seu resultado final. Sua monopolização é ainda notória como produtora ou co-produtora da maioria dos filmes em cartaz.


Como toda boa indústria que visa o lucro a sétima arte não poderia ser diferente. A cópia da película surgiu como meio de retorno mais rápido do investimento realizado pelos produtores, distribuidores e exibidores. Todos ganhando através da massificação da cultura.
O principal efeito é a conformidade da população ao receber uma cultura estereotipada que encara as mais variadas artes como lazer e não forma de expressão.


Foto: Hugh Jackman, apresentador do Oscar 209, em mais uma das tantas encenações.

Fonte:
[Livro] O que é cinema

sábado, 31 de janeiro de 2009

MAYSA - quando fala o coração



Sei que estou atrasada pra falar sobre o assunto em questão, mas essa minissérie precisa ser comentada ainda por muitos anos.


No ano em que a Bossa Nova completou 50 anos a Rede Globo optou pelo início da produção intencionalmente, ou não, da vida de uma cantora mais conhecida pelo estilo melancólico de suas músicas e não pela sua carreira no estilo em questão.


A minissérie teve direção de seu filho, Jayme Monjardim, e textos de Manoel Carlos. O sucesso da produção, no entanto contava ainda com a atriz Larissa Maciel que além da incrível semelhança soube representar de forma equilibrada a cantora que era conhecida por seus excessos. Quer no palco com suas fortes expressões, ou em sua vida regada de bebida e cigarros.


A produção mostrou Maysa filha, mãe, cantora, esposa e em todas as fases da vida ela não tinha medo de dizer o que pensava, vivia intensamente. Algo que lhe trouxe muitas conseqüências e em sua maioria negativas. Também retratou sua insegurança ao subir em grandes palcos, seu peso, amores.


O que mais chamou minha atenção foi a transparência da produção ainda mais por Manjardim ser o diretor e filho. Conseguir retratar seu abandono por parte da mãe em um internato na Espanha durante 10 anos demonstra que realmente aprendeu a amá-la.


Os capítulos da minissérie mantiveram 30 pontos na audiência, número considerado bom para o horário no qual ela era transmitida. Para a decepção em partes da Rede Globo que não esperava tamanha repercussão e cortou alguns trechos.


Enfim, o Brasil aprendeu os motivos para admirar, odiar e amar Maysa.


Fontes:

http://maysa.globo.com/Maysa/0,,16119,00.html

Revista Veja - entrevista com Jayme Monjardim


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Capitu


A minissérie da Globo que estreou ontem com a retratação de um dos maiores clássicos da literatura brasileira: Dom Camurro. Interessou-se em destacar a junção do passado e o contemporâneo em uma linguagem típica do teatro.

O diretor Luiz Fernando Carvalho também autor de "Hoje É Dia de Maria" vem tentando inovar a narrativa das séries televisivas com a implementação da linguagem teatral. Algo muito interessante, pois primeiramente pode causar certo desconforto dos espectadores. Porém é uma forma de apresentá-los as características da arte da interpretação, longe dos holofotes e programas de fofoca.

A trilha sonora do programa é algo a parte, pois concilia solos de guitarras com quartetos de corda sem interferir na narrativa já tão atrevida.

Li algumas críticas e entre elas estava o resultado do ibope do programa na noite anterior caracterizado como: "oscilante pois teria causado certa estranheza ao público" .

Dom Camurro é um clássico de Machado de Assis e a personagem que intitula a série é um ícone de dúvidas para muitos leitores da obra. Pode ser um pouco exagerado a linguagem utilizada pelo autor? pode... mas todos os autores querem isso, instigar nossa imaginação. Portanto não vejo crime algum se a intenção do autor for essa.



Para quem quiser saber mais sobre a série e os bastidores:

http://capitu.globo.com/